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my city ISSN 1982-9922

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Diego Vasconcellos Vargas e Martin Jayo discutem a alteração do nome Praça da Liberdade para Praça Liberdade-Japão, assim como da estação do metrô, que geraram críticas por parte da sociedade civil por um suposto caráter excludente da nova denominação.

how to quote

VARGAS, Diego Vasconcellos; JAYO, Martin. Memória e toponímia paulistanas. Sobre a origem do nome Liberdade. Minha Cidade, São Paulo, ano 20, n. 229.03, Vitruvius, ago. 2019 <https://agitprop.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/20.229/7447>.



Em junho de 2018, marcando os 100 anos da imigração japonesa, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a alteração do nome da Praça da Liberdade, principal ponto de confluência do bairro homônimo, para Praça Liberdade-Japão. No mês seguinte, a estação Liberdade da linha 1 – Azul do metrô paulistano, ali inaugurada em 1975, também teve sua denominação alterada, passando a chamar-se, também, Liberdade-Japão.

Tais mudanças geraram, imediatamente, uma enxurrada de críticas por parte da sociedade civil. Muitas das críticas apontaram o caráter excludente da nova denominação, pois essa homenagem à comunidade japonesa desconsiderava outras etnias – como a coreana e a chinesa – também presentes na Liberdade. Para outras, a mudança contribuía para o apagamento da já tão maltratada memória negra do bairro, com raízes muito anteriores à chagada dos orientais. A própria denominação “Liberdade”, argumentou-se, é uma herança da presença negra no local.

O argumento que associava o nome Liberdade à memória negra teve ampla circulação. Foi tomado como verdadeiro nas redes sociais e na mídia, fundamentando grande parte das objeções à mudança oficial no nome (1). No entanto, por mais tradicional que seja, essa versão dificilmente resiste a fontes históricas.

Estação Japão-Liberdade, interior, bairro da Liberdade, São Paulo, 28 jul. 2019
Foto Martin Jayo

A seguir, procuraremos sintetizar duas versões existentes para a origem do toponímico Liberdade: uma delas, mais popular, é a que teve destaque em 2018, associada à memória negra e à figura lendária do cabo Chaguinhas, enforcado no local. A outra, mais “erudita”, é composta a partir de publicações de historiadores como Djalma Forjaz (1883-1962), Antonio de Toledo Piza (1848-1905), Nuto Sant’Anna (1889-1975) e, mais recentemente, Nicolau Sevcenko (1952-2014).

Versão popular: o Largo da Forca e a execução de Chaguinhas

Na São Paulo colonial, a atual Praça da Liberdade (agora, Liberdade-Japão) era conhecida como Largo da Forca, por ser o local destinado às execuções de escravos fugidos e condenados à morte. Foi na forca ali existente que, em 1821, foi executado o cabo Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, evento do qual se originou, na versão popular, a atual denominação do bairro.

Conta-se que Chaguinhas e outro militar, Joaquim José Cotindiba, foram condenados à morte por terem liderado uma rebelião contra o comando do batalhão ao qual serviam, em Santos, reivindicando o pagamento de soldos atrasados. Algumas versões alegam que, além do pagamento, os revoltosos também reivindicavam igualdade no tratamento dispensado a soldados brasileiros e portugueses, que mais de cem pessoas participaram da revolta, e que Chaguinhas não a liderou, apenas assumido a responsabilidade para poupar seus companheiros. Seja como for, uma vez sufocada a revolta, os dois militares foram trazidos a São Paulo. A pena para aqueles que organizassem motins, na época, era o enforcamento, e assim os dois condenados foram levados ao Largo da Forca, para serem executados, no dia 20 de setembro de 1821.

Joaquim José Cotindiba teria sido o primeiro a ser enforcado, e sua execução ocorreu sem contratempos. Porém, quando chegou a vez de Chaguinhas, uma improvável intercorrência ocorreu: a corda se rompeu. O condenado se estatelou no chão, permanecendo vivo.

Igreja dos Aflitos, bairro da Liberdade, São Paulo. Retrato de Chaguinhas
Foto Denise Geribello [GERIBELLO, Denise Fernandes. Igreja Nossa Senhora dos Aflitos, bairro da Liberdade]

O desfecho da cena tem várias versões. A mais comum diz que, ao ver Chaguinhas escapar da morte, o público espectador, entendendo ser aquilo um sinal divino, passou a pedir pela liberdade do condenado. Ignorando os pedidos, uma nova corda foi providenciada, porém, mais uma vez, arrebentou. Com o novo rompimento, a multidão, já mais agitada e impressionada com o que aparentava ser um milagre, passou a gritar: “Liberdade, liberdade, liberdade!”. Somente na terceira tentativa – ou na quarta, dependendo da versão da história – é que, enfim, Chaguinhas foi morto. Existe até mesmo uma versão com teor mais fantástico, segundo a qual Chaguinhas teve seu corpo retalhado e, ao ter a cabeça separada, esta teria rolado ladeira abaixo “indo parar justamente dentro da capela de Nossa Senhora dos Aflitos (2), caindo dentro do buraco onde eram depositados os corpos dos condenados” (3).

A população que clamara por liberdade, enfim, não teve seu desejo atendido, mas a partir do episódio fiéis da Igreja erigiram uma cruz no local – conhecida como Santa Cruz do Enforcado – e passaram a acender velas para Chaguinhas ali mesmo, no Largo da Forca e anos depois no rebatizado Largo da Liberdade. Dizia-se até mesmo que essas velas não se apagavam, queimando sempre até o final (4). Chaguinhas tornou-se uma espécie de santo popular, condição que mantém até hoje. E, por força do evento ali ocorrido, o antigo Largo da Forca passou a se denominar Praça da Liberdade.

Igreja dos Aflitos, faixas na fachada, bairro da Liberdade, São Paulo, 28 jul. 2019
Foto Martin Jayo


Versão erudita: Forjaz, Piza, Sant’Anna e Sevcenko

Embora a versão popular da história, com suas variações, seja a mais difundida, ela pode ser contestada por outra, mais “erudita” e menos fantasiosa.

Em 1927, o historiador Djalma Forjaz publicou um artigo em que tenta esclarecer os fatos a respeito do enforcamento. Segundo Forjaz, as “fantasias” com que a narrativa do enforcamento se espalhou, criadas pela “inventiva popular”,

“nasceram da falta do conhecimento de documentos, tais como a certidão de enforcamento e outros documentos que a confirmam, o auto de corpo de delito, a sentença do Conselho de Guerra, a sentença do Supremo Tribunal Militar. Estes documentos na época ficaram desconhecidos, porque, não havendo imprensa, não foram publicados” (5).

A versão dos fatos assinada por Forjaz conta que D. João VI, antes de partir para Portugal em abril daquele mesmo ano de 1821, havia assinado decretos que determinavam a equiparação do soldo de soldados e oficiais brasileiros aos de Portugal. Na madrugada de 29 de junho, os praças do Primeiro Batalhão de Caçadores, destacados em Santos, organizaram um motim alegando o não pagamento do acréscimo do soldo, reivindicação que, segundo Forjaz, foi atendida. Apesar disto, nos dias seguintes o motim não chegou ao fim, repetindo-se “atos de insubordinação com circunstâncias agravantes”, que incluíram até mesmo “a prática de homicídios, o esquartejamento de crianças, roubos, saques e outras violências” (6).

Reagindo à situação, o governo provisório da província sufocou o motim. Em 27 de agosto, os revoltosos foram submetidos a um Conselho de Guerra, sendo trinta deles sentenciados à pena de morte. Pouco depois, no entanto, um acordo realizado pelo governo provisório, com o parecer de uma comissão militar, reduziu para sete o número de condenados à pena máxima. De acordo com a sentença, conforme relata Forjaz, “os nascidos em beira mar deviam ser justiçados em Santos, e os nascidos em serra acima, em S. Paulo” (7). Dois condenados se encaixavam nesta segunda situação: Joaquim José Cotindiba e Francisco José das Chagas, o Chaguinhas.

Por intermédio de outro historiador, Antonio de Toledo Piza (1848-1905), conhecemos um detalhe: São Paulo naquele momento não dispunha de forca, “tendo provavelmente se deteriorado e caído a que antes havia”. Diz o autor:

“Por carta régia de 23 de agosto de 1820 foi mandada instalar em São Paulo uma junta de justiça, e não se compreendia então uma tal junta sem o seu necessário apêndice – um patíbulo; por isso, o governo, com inexplicável demora de onze meses, expediu em 23 de junho de 1821 um aviso à Câmara Municipal para que mandasse levantar uma forca no lugar mais público e vizinho do cemitério geral, que era chamado Campo da Forca, e ela fosse feita de madeira duradoura” (8).

Ficando pronta a forca, os dois condenados “nascidos em serra acima”, com sentenças confirmadas em 10 de setembro de 1821, foram transferidos a São Paulo e recolhidos à Cadeia Municipal no dia 15 do mesmo mês. Depois, por ordem do ouvidor D. Nuno Eugenio de Lossio Seilbiz, então juiz relator da província, foram transferidos para o Oratório, de onde, acompanhados de “aparatoso cortejo religioso” (9), partiram para a forca no dia 20 de setembro, data marcada pelo juiz executor da sentença, José da Costa Carvalho.

No dia do enforcamento, uma grande massa popular compareceu ao Campo da Forca. Removida a tábua sobre a qual pisavam, os condenados foram “atirados ao espaço. Cotindiba morre estrangulado” (10) porém a corda usada em Chaguinhas não foi suficientemente forte. Segundo Forjaz, “no momento em que Chaguinhas balouçara no ar, preso da corda, esta arrebentara e o seu corpo caíra no chão, embebendo-se do seu sangue” (11).

Era comum a presença de religiosos em ocasiões como esta, e um deles carregava consigo uma bandeira preta, a Bandeira da Misericórdia. Segundo a prática daqueles tempos, esta bandeira, uma vez lançada sobre o corpo do padecente, impedia a consumação da pena. Surpreendida com o rompimento da corda, a assistência religiosa lançou a bandeira sobre o corpo de Chaguinhas e “correu ao palácio do governo, implorando o adiamento da execução, até que se obtivesse a clemência de D. Pedro, o Príncipe Regente” (12). Pode-se supor que os religiosos, diante do ocorrido, acreditaram ou argumentaram que forças divinas intervinham a favor de Chaguinhas.

O pedido, contudo, não foi atendido; ao contrário, novas ordens para o enforcamento foram expedidas pelo governo provincial. E como não houvesse mais uma corda disponível, mandou-se que fosse usado um laço de boi. O laço foi providenciado, porém, por ser feito de material diferente, menos flexível, não foi capaz de sufocar o condenado com presteza. Novamente o condenado foi ao chão, ali ficando “semivivo” (13). A fim de encerrar a questão de uma vez por todas, o carrasco tirou-lhe a vida ali mesmo, no chão.

O suplício de Chaguinhas “terminou horas mortas da noite, deixando uma dolorosa impressão na memória dos que o assistiram” (14). O cemitério geral era próximo do local do enforcamento, e os dois cadáveres foram conduzidos para lá “sem as cautelas médicas que presentemente se usam do exame cadavérico e da verificação do óbito” (15).

Vemos, com isto, como dois historiadores que se debruçaram sobre a morte de Chaguinhas no século 20 indicam que de fato o cabo foi executado, de forma desastrada, na forca. Vivo na memória da cidade, o personagem virou lenda, transmitida de geração em geração, permanecendo no imaginário popular paulistano até os dias de hoje.

Embora não nos seja possível aferir sua precisão, os textos de Forjaz e Piza, por se embasarem em fontes documentais, parecem sem dúvida mais fidedignos do que a versão popular da história. No entanto, apesar de contribuírem para a elucidação dos fatos do enforcamento, não fazem qualquer menção à origem do nome do bairro da Liberdade. Quem aborda esta questão são os historiadores Nuto Sant’Anna e, mais recentemente, Nicolau Sevcenko.

Diz Sevcenko, em artigo de 2004, que a forca funcionou ali até meados do século 19, mas para ele o local passou a chamar-se Praça da Liberdade por outro motivo que nada tem a ver com Chaguinhas. Segundo o autor, o largo e o bairro mudaram de nome

“por sua ligação com o Chafariz da Liberdade, localizado no Largo do Curso Jurídico (atual São Francisco). Aquele chafariz, por sua vez, fora assim denominado em 1832 em homenagem da Câmara à revolta popular que culminara, no Rio de Janeiro, no ano anterior, com a queda do governo absolutista de D. Pedro I e seu retorno a Portugal [...]. Do chafariz, o nome se entendeu à praça, depois à rua que os ligava e finalmente passou a abranger toda a área do que fora o Distrito da Glória” (16).

Largo do Curso Jurídico, frontal à Faculdade de Direito de São Paulo, 22 dez. 2013
Foto Abilio Guerra

E antes de Sevcenko, versão semelhante foi dada, em 1939, por Nuto Sant’Anna, para quem o topônimo “vem do 7 de abril, da Abdicação de D. Pedro I”. Segundo este autor, em seção da Câmara em 4 de maio de 1831, o vereador Cândido Gonçalves Gomide propôs algumas alterações de nomes de logradouros públicos para comemorar a abdicação, sugerindo o nome Praça da Liberdade para o Largo do Curso Jurídico, entre outras mudanças. A Câmara Municipal, segundo Sant’Anna, acatou apenas parcialmente a ideia:

“A Comissão Permanente achou boa e feliz a ideia, porém observou que tais nomes deveriam ser dados a vias públicas novas, visto como o povo dificilmente fazia ou aceitava essas transformações coercitivas [...]. Não obstante aprovou que se desse o nome Fonte da Liberdade ao chafariz existente no largo do curso Jurídico” (17).

Sant’Anna também acrescenta, citando Affonso de Freitas, que do Chafariz o nome teria passado ao entorno e, com o tempo, ao bairro todo (18).

Documentos da Câmara Municipal permitem sustentar essa versão. O primeiro é uma Ata que encontramos reproduzida no jornal Farol Paulistano de 14 de maio de 1831:

“O Sr. Gomide (19) indicou, que para perpetuar-se a memória da gloriosa vitória conseguida no Rio de Janeiro pelo Povo contra o Poder injusto e iníquo, vitória que libertou a Pátria do pesado jugo que a oprimia, se denominasse d’ora em diante a rua do Rosário Rua 7 de Abril, a de S. Thereza Rua da Abolição, o Largo do Curso Jurídico Praça da Liberdade, e o de S. Gonçalo Praça do Povo, mandando-se pôr um suficiente número de rótulos com estas novas denominações” (20). grifo nosso

Uma semana depois, em 21 de maio, em outra Ata da Câmara, a história se desenrola:

“O parecer adiado sobre a indicação do Sr. Gomide para se perpetuar a memória da gloriosa vitória do dia 7 de abril com a mudança dos nomes de várias ruas e praças, foi aprovada com uma emenda do mesmo Sr. Gomide para se denominar o chafariz existente no Largo do Curso Jurídico Chafariz da Liberdade, a ponte outrora chamada de Marechal Ponte da Abdicação, a de Lorena Ponte de 7 de abril, e a que se vai construir abaixo da rua da Constituição Ponte do Povo” (21). grifo nosso

Estas duas Atas confirmam que o chafariz existente no Largo do Curso Jurídico passou a chamar-se “da Liberdade” em comemoração à abdicação de D. Pedro I, e que a mudança de nome do Largo do Curso Jurídico foi retirada da proposta, como disse Sant’Anna. O Largo da Forca, por sua vez, não aparece sequer mencionado.

Mas 27 anos mais tarde, em 1858, o Largo da Forca teria mudada finalmente sua denominação oficial para Praça da Liberdade, conforme edital publicado pela Câmara Municipal em 28 de outubro:

“A Câmara Municipal desta Imperial Cidade faz saber aos seus habitantes, que em sessão de 28 do corrente, deliberou chamar-se PRAÇA DA LIBERDADE – o largo da Forca onde se acha colocado o Chafariz da LIBERDADE” (22). grifos no original

Não deixa de haver aqui uma aparente inconsistência, a ser resolvida pelos historiadores: como pode o Chafariz da Liberdade, que em 1831 se situava em um dos largos, ter aparecido em 1858 em outro? É possível que neste intervalo o equipamento tenha sido transportado de um local ao outro, ou mesmo que se trate de dois chafarizes que tiveram o mesmo nome. De todos modos, a renomeação do Largo da Forca como Praça da Liberdade em 1858 é certa, e é coerente com o processo descrito por Sant’Anna e Sevcenko, pelo qual o nome Liberdade, introduzido em 1831, foi se irradiando, com o passar do tempo, a todo o bairro.

Conclusão

Como se pode ver, a atribuição do topônimo Liberdade à figura do cabo Chaguinhas, ali executado em 1821, embora bastante enraizada na memória popular paulistana, está longe de ser objeto de consenso.

Uma versão concorrente, que aqui chamamos de “erudita” em oposição ao caráter “popular” da primeira, permite argumentar que, ainda que o bairro da Liberdade tenha, de fato, um passado intimamente ligado à forca, à escravidão e à presença da cultura negra, ele deve a origem de seu nome a uma homenagem oficial aos eventos políticos de abril de 1831, que culminaram na abdicação do imperador Pedro I. O nome estaria, portanto,  relacionado à vocação liberal da elite paulista do século 19 e ao papel-chave que ela começava a assumir na gestão do país, e não à forca ou aos enforcados por essa mesma elite.

A versão “erudita” tem a seu favor o maior rigor da pesquisa histórica, e o crédito que se queira atribuir aos historiadores envolvidos. A popular, por sua vez, conta com a força vivaz da tradição e da memória popular.

Topônimos costumam refletir por vezes a memória oficial – quando se originam por exemplo de datas comemorativas, figuras homenageadas etc. – e outras vezes a memória coletiva popular – quando derivam de designações espontâneas (23). Eis aqui um caso de disputa entre ambas.

Seja como for, não importa qual das duas explicações prefiramos, em um ponto devemos concordar: a recente mudança para Japão-Liberdade de fato é um apagamento e um desserviço à memória do local. Tanto à memória negra, mais ancestral, como às memórias chinesa, coreana e de outras etnias com vínculos mais recentes no local.

notas

1
Nas redes sociais, o assunto circulou a partir de um texto postado no Facebook, em 26 de julho de 2018, pelo advogado Rentato Igarashi, em protesto à mudança de nome da praça. A postagem teve um imediato efeito viral, obtendo mais de 3 mil compartilhamentos diretos, além de ter tido o seu texto reproduzido por inúmeros outros usuários. Um trecho da postagem de Igarashi afirmava: “Foi, aliás, por causa de um negro que a praça e o bairro foram chamados de Liberdade. Em 1821, um soldado chamado Chaguinha, condenado à morte por liderar uma rebelião por pagamento de soldo, sobreviveu a duas tentativas de enforcamento, ao que o público atribuía a um milagre e passava a gritar ‘liberdade’ – só foi morto após o carrasco usar um laço de vaqueiro. Chaguinha, então, se tornou um santo padroeiro do bairro e protetor da Capela dos Aflitos, onde esteve antes de ser levado à forca, e da Igreja Santa Cruz dos Enforcados, construída décadas mais tarde em frente à praça”.  Das redes sociais, a repercussão passou em seguida à mídia tradicional, que passou a reproduzir o relato em muitas reportagens que endossaram a versão de Igarashi, a exemplo das publicadas no Portal G1 (“Praça e Estação Liberdade do Metrô de SP ganham ‘Japão’ no nome e alteração gera críticas nas redes sociais”, 01/08/2018), Carta Capital (“O que a Liberdade Significa para a Memória dos Negros em São Paulo”, 02/08/2018), Nexo Jornal (“A mudança de nome da Praça da Liberdade. E a memória negra em São Paulo”, 07/08/2018), entre outras.

2
Ver: GERIBELLO, Denise Fernandes. Igreja Nossa Senhora dos Aflitos, bairro da Liberdade. A lembrança de um esquecimento. Arquiteturismo, São Paulo, ano 08, n. 088-089.03, ago. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/08.088-089/5262>.

3
CARBALLA, Francisco. Chaguinhas. Disponível em http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0004c.htm  (acesso em 26 jul. 2019)

4
FORJAZ, Djalma. O supplicio de Chaguinhas. Diário Nacional, São Paulo, 21/09/1927.

5
Idem, ibidem.

6
Idem, ibidem.

7
Idem, ibidem.

8
PIZA, Antonio de Toledo. Chronicas dos tempos coloniaes: o supplicio do Chaguinhas. Revista do Instituro Histórico e Geográfico de S. Paulo, vol. V, 1901. Disponível em http://ihgsp.org.br/wp-content/uploads/2018/03/Vol-05.pdf (acesso em 26 jul. 2019).

9
Idem, ibidem.

10
Idem, ibidem.

11
FORJAZ, Djalma. Op. cit.

12
Idem, ibidem.

13
PIZA, Antonio de Toledo. Op. cit.

14
FORJAZ, Djalma. Op. cit.

15
PIZA, Antonio de Toledo. Op. cit.

16
SEVCENKO, A cidade metástasis e o urbanismo inflacionário: incursões na entropia paulista. Revista USP, São Paulo, n. 63, 2004, p. 16-35.

17
SANT’ANNA, Nuto. São Paulo histórico (aspectos lendas e costumes). Departamento de Cultura do Município, 1939, vol.2.

18
Idem, ibidem.

19
Cândido Gonçalves Gomide, vereador em 1821.

20
Ata da Câmara Municipal publicada no jornal O Farol Paulistano, 14/05/1831, p. 1.

21
Ata da Câmara Municipal publicada no jornal O Farol Paulistano, 21/05/1831, p. 1.

22
Edital da Câmara Municipal publicado no jornal Correio Paulistano, 29/10/1858, p. 3.

23
FAGGION, Carmen Maria; MISTURINI, Bruno. Toponímia e memória: nomes e lembranças na cidade. Linha D'Água, São Paulo, v. 27, n. 2, 2014, p. 141-157.

sobre os autores

Diego Vasconcellos Vargas é mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP.

Martin Jayo é professor da EACH-USP.

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