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interview ISSN 2175-6708

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GUERRA, Abilio; et. al. Gilberto Gil, o homem que sabe ouvir. Transa Marieta – episódio 7. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 084.01, Vitruvius, out. 2020 <https://agitprop.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.084/7902>.


Gilberto Gil na segunda edição do Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana – Festac, Lagos, Nigéria, 1977
Foto divulgação

Bloco 01. Cultura: transmissão e construção

Keyna Eleison: Gostaria de trazer à cena o Festac 77. Sou de uma família que celebrou este evento como parte da formação de gosto e linguagem e a sua presença lá é fundamental para esta percepção. Quero abrir uma conversa sobre isso. Me contar mais como foi estar lá. Que apesar de muito festejada, a Festac 77 acontece onze anos depois da primeira (que aconteceu em Dakar em 66) e em uma Lagos capital de uma nação com que vivia uma ditadura. Como foi?

Djamila Ribeiro: Considerando suas experiências como artista e como ministro, como acha que a sociedade civil e os movimentos sociais podem ajudar a preservar a cultura do país em um momento tão difícil?

Chico Cesar: Gil, do fim dos anos 1960 pro começo dos 1970 temos muitos artistas transgressores do ponto de vista de sua arte mas também comportamental, trazendo a negritude e a questão da sexualidade. Tony Tornado, Miriam Batucada, Maria Alcina, Ney Matogrosso, os tropicalistas em geral, Edy Star, Luli e Lucina. Isso já era o encontro de lugar de fala e talento dando norte à música brasileira?

Luiz Fernando de Almeida: Na minha bolha de rede social – acho que na nossa – tem tido uma presença frequente daquele seu famoso vídeo na ONU com Kofi Annan. Sempre que eu o revejo, uma das reflexões que me chegam é o papel e lugar do Brasil no mundo. Você sempre foi otimista com esse papel e nunca te perguntei se a origem desse otimismo com relação ao Brasil que também se estende na sua trajetória com o universo da língua portuguesa, tem uma relação com Agostinho da Silva. Aliás, pouca gente sabe de sua relação com ele e eu quero te pedir pra falar sobre isso.

Segunda edição do Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana – Festac, Lagos, Nigéria, 1977
Foto divulgação

Bloco 02. O passado e o presente

Djamila Ribeiro: Gil, de que maneira você acha que os brasileiros devem se engajar da luta antirracista?

Luiz Fernando de Almeida: Numa das viagens a trabalho que fizemos até Corumbá no Mato Grosso do Sul houve um momento que nos encontramos com mestres tocadores de viola de cocho. Logo depois, na hora do discurso (creio que estávamos numa cerimônia que marcou o início da execução do Museu do Pantanal), você usou a viola e fez um discurso cantado, uma embolada, um coco, um rap pantaneiro onde o refrão, a repetição, o recado era: “o Brasil não pode ser só uma plantação de soja”. Também era uma metáfora. Como você vê a resistência dos Brasis? A nossa diversidade cultural, tão forte e tão determinante da nossa ideia de Brasil, vai se transformar numa plantação de soja?

Keyna Eleison: Tempo em curva. Como a tangente entre o passado e o futuro vem para você? Nossa inteligência afro-diaspórica nos ensina que o tempo e o espaço não estão separados e muito menos a linearidade é o sentido (em frente ou para trás). O futuro pode influenciar o passado?

Chico Cesar: Gil, em novembro de 1985, ou seja, há quase 35 anos, você comemorou 20 anos de carreira com o projeto Gil 20 Anos Luz com shows em São Paulo reunindo nomes da música brasileira que iam de Luiz Gonzaga a Titãs. Do baião ao rock. E também com debates e projeção de filmes. Wally Salomão, que fez a supervisão geral do projeto, em texto escrito na ocasião, define sua trajetória até ali como “amargor e sobretudo doçura”. Em 55 anos de carreira, Gil, o que prevalece: a doçura ainda? O travo do amargor?

Projeto Marieta (pergunta alternativa): Na exposição GIL70 no Itaú Cultural, você conta o processo criativo de “Super-Homem, a canção”, a partir de uma conversa com Caetano Veloso, que adorou o filme Superman. É intrigante a história convencional do herói que salva a donzela transformada em magnífica letra sobre a igualdade de gêneros. No episódico tornado ideia universal reside alguma pista do seu processo criativo?

Ao lado de músicos e artistas, Gilberto Gil participa da Marcha Contra a Guitarra Elétrica, São Paulo, 17 de julho de 1967
Foto divulgação

Bloco 03. O futuro (se houver tempo)

Luiz Fernando de Almeida: Recentemente me procurou uma pessoa dizendo que estava organizando o seu arquivo e me pediu informações sobre nossas ações no campo do patrimônio cultural brasileiro no seu período como Ministro da Cultura. Eu fiquei bem contente por saber disso: você foi, é e será uma referência de nossos tempos. O seu arquivo tem uma dimensão de interesse público. A pergunta é: qual a sua intenção? O que você pretende fazer com esse material tão rico?

Djamila Ribeiro: Gil, ao longo da sua brilhante trajetória de vida artística, política, enfim... há algo que você gostaria de ter feito e por algum motivo não conseguiu fazer?

Projeto Marieta: No dia 17 de julho de 1967, liderados por Elis Regina e com as presenças de Jair Rodrigues, Zé Keti, Geraldo Vandré, Edu Lobo, MPB-4 e Gilberto Gil, ocorreu em São Paulo a Marcha contra a Guitarra Elétrica, uma defesa da música brasileira contra a invasão da música internacional. Três meses depois, em outubro de 1967, durante o III Festival da TV Record, você se apresentou ao lado dos Mutantes, com Sérgio Baptista com guitarra em punho. A música popular brasileira deglutia antropofagicamente os instrumentos eletrificados dos gringos. Nascia a Tropicália. O que aconteceu com Gilberto Gil nesse período? O que estava em jogo?

Gilberto Gil e Os Mutantes no Festival de Música da TV Record, São Paulo, 1967
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