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my city ISSN 1982-9922

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O Núcleo Docomomo São Paulo divulga carta pública em repúdio à destruição do Conjunto Aquático da Associação Portuguesa de Desportos, obra inaugurada em 1965 com projeto dos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi.

how to quote

DOCOMOMO SÃO PAULO, Núcleo. Repúdio à destruição do Conjunto Aquático da Associação Portuguesa de Desportos. Minha Cidade, São Paulo, ano 19, n. 217.02, Vitruvius, ago. 2018 <http://agitprop.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/19.217/7074>.



O Núcleo Docomomo São Paulo lamenta e repudia a demolição ilegal, um ato de vandalismo urbano, do Conjunto Aquático da Associação Portuguesa de Desportos, localizado no terreno do estádio da Associação no Canindé (1). O conjunto formava parte do amplo projeto que João Batista Vilanova Artigas em colaboração com Carlos Cascaldi fizeram para o clube em 1962 (inaugurado em 1965). Ainda que a proposta original para o conjunto esportivo não tenha sido realizada (2), foi construída uma versão modificada do Conjunto Aquático. Composto de quatro piscinas, arquibancada, vestiários e a escultural torre de saltos, com suas três plataformas e quase 20 metros de altura, o complexo constituía uma unidade arquitetônica cabal, de reconhecida qualidade plástica, e resultado evidente de um elaborado projeto de conjunto que se integrou imediatamente às atividades do clube como um espaço de convívio, inseparável de suas aspirações sociais.

Conjunto Aquático da Associação Portuguesa de Desportos, páginas da revista Acrópole n. 348, São Paulo, 1962-1965. Arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi
Foto divulgação [Acervo Acrópole/FAUUSP]

Além da relevância para os próprios associados, esse complexo é muito importante no conjunto das obras de Artigas (e de Cascaldi), pois se trata do projeto que fecha o ciclo de "clubes" que os arquitetos desenvolveram desde 1952, quando realizaram o projeto para o São Paulo Futebol Clube, o estádio Cícero Pompeu de Toledo, no Morumbi, ao qual se somaram obras como o anteprojeto para o Clube Municipal de Londrina, de 1953, e os reconhecidos projetos para a Sede Social do Anhembi Tênis Clube, a Garagem de Barcos do Santapaula Iate Clube e os vestiários e piscinas do São Paulo Futebol Clube, todos de 1961.

O Conjunto Aquático foi alvo de destruição pelas autoridades dirigentes da Associação Portuguesa de Desportos. A demolição desse conjunto ímpar deixa consternada a comunidade Lusa e também a acadêmica que foram surpreendidas pela ação premeditada dos dirigentes, que, sem mediar trâmite algum perante a Prefeitura Municipal de São Paulo, procederam à destruição desse patrimônio arquitetônico e cultural que não tinha conseguido proteção legal por meio de instrumentos como o tombamento.

Estádio da Associação Portuguesa de Desportos, foto da maquete de projeto não construído, São Paulo, 1962. Arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi
Foto divulgação [Acervo Vilanova Artigas/FAUUSP]

Desde 2016, existiam intenções, por parte de um grupo de sócios da Portuguesa, de solicitar o tombamento do Complexo Esportivo Doutor Osvaldo Teixeira Duarte, um terreno de mais de 100.000m² onde se encontrava o Complexo Aquático. O pedido de tombamento foi dirigido ao Condephaat, que, no entanto, foi contrário à solicitação, arquivando o processo em 2017. Ainda assim, as ações dos sócios continuaram. No mês de março deste ano, torcedores se organizaram para um abaixo-assinado solicitando o tombamento do complexo, que, segundo afirmam seus patrocinadores, “já foi assinado por cinco mil pessoas e destaca que a Lusa está sob ameaça de desaparecimento” (3).

Nada de tudo isso foi suficiente para impedir a demolição ilegal do conjunto. O Núcleo Docomomo São Paulo solicita às autoridades municipais que averiguem o ocorrido, tendo em vista que a irregularidade da ação de demolição acarretou na aceleração de um processo de destruição que ainda poderia estar em debate, considerando o posicionamento de parte dos sócios do clube. Caso a obra viesse a ser incluída no conjunto de bens culturais do município, os responsáveis do clube seriam obrigados a consultar os departamentos técnicos dos órgãos de proteção para qualquer intervenção. Nesse caso, poderia ter sido solicitado um projeto de reforma que considerasse as construções existentes, especialmente a torre de saltos, adaptando-as aos novos usos desejados. Não é destruindo o patrimônio cultural dos paulistanos que a Portuguesa será salva.

Estádio da Associação Portuguesa de Desportos, páginas da revista Acrópole n. 297, São Paulo, 1962. Arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi
Foto divulgação [Acervo Acrópole/FAUUSP]

notas

NE – agradecimento a Rosa Artigas pela colaboração na ilustração do artigo.

1
Sobre a demolição, ver: MUNDO LUSÍADA. Portuguesa divulga nota oficial sobre demolição das piscinas. Mundo Lusíada. São Paulo, on line, 6 jun. 2018. Disponível em: <https://www.mundolusiada.com.br/esporte/portuguesa-divulga-nota-oficial-sobre-demolicao-das-piscinas>; QUINTELLA, Sérgio; ROSÁRIO, Mariana. Era uma vez um clube. Veja São Paulo, São Paulo, ano 51, n. 31, 1 ago. 2018, p. 22-28. Disponível em: <https://vejasp.abril.com.br/cidades/clube-portuguesa-crise>.

2
Sobre o projeto, ver: ACROPOLE. Torre de saltos, piscina e arquibancadas. Acropole, São Paulo, ano 25, n. 297, jul. 1963, p. 252-255. Disponível em: <http://www.acropole.fau.usp.br/edicao/297>; ACROPOLE. Torre de saltos, piscina e arquibancadas. Acropole, São Paulo, ano 29, n. 348, mar. 1968, p. 30-33. Disponível em: <http://www.acropole.fau.usp.br/edicao/348>; FERRAZ, Marcelo Carvalho (org.). Estádio da Portuguesa de Desportos. Vilanova Artigas. Lisboa/São Paulo: Blau/Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi/Fundação Vilanova Artigas, 1997, p. 120-121.

3
Sobre o abaixo-assinado, ver: GALDEANO, Andreza; Beraldo, Paulo. Com abaixo-assinado, torcida tenta salvar Canindé e a Portuguesa. Estadão Esportes, São Paulo, on line, 30 mar. 2018. Disponível em: <https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,torcida-tenta-salvar-caninde-e-a-portuguesa,70002247877>.

sobre o autor

Docomomo é o acrônimo que identifica a organização não-governamental Comitê Internacional para a Documentação e Preservação de Edifícios, Sítios e Bairros do Movimento Moderno. Fundada em 1988 na Holanda, com representação em mais de quarenta países, é uma instituição sem fins lucrativos. O Docomomo Internacional está sediado atualmente em Lisboa, Portugal, atuando também como organismo assessor do World Heritage Center da Unesco. O Núcleo Docomomo SP foi o primeiro a se estabelecer após a criação do Docomomo Brasil e, desde então, vem organizando eventos, debates, encontros, seminários e workshops.

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