Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
O arquiteto Carlos A. Ferreira Martins comenta o impedimento do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em comparecer ao velório de seu irmão mais velho, medida inconstitucional que foi apoiada por parte da população.

how to quote

MARTINS, Carlos A. Ferreira. Os monstros moram ao lado. Drops, São Paulo, ano 19, n. 137.01, Vitruvius, fev. 2019 <http://agitprop.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.137/7251>.



A semana foi marcada pelo espetáculo de crueldades que impediu um senhor de 72 anos, que sobreviveu a um câncer e perdeu a esposa exatos dois anos atrás, de sair da prisão para comparecer ao enterro de seu irmão mais velho.

A Lei de Execuções Penais afirma que condenados e presos provisórios “poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente ou descendente ou irmão” (art. 120, grifo meu).

Concordemos ou não, isso é direito do preso e não benevolência do juiz. Suzana von Richtoffen, condenada por planejar a morte de seus pais recebe há anos permissão para sair da prisão... no Dia das Mães.

Mas não valeu para Lula. A juíza responsável decidiu perguntar ao Ministério Público, que decidiu perguntar à Polícia Federal... se era o caso de cumprir a lei. E a resposta foi não.

Em grau de recurso, o presidente do supremo decidiu que a lei lhe garantia sim esse direito. Mas seu irmão já estava enterrado.

Até aí, isso só reforça a convicção dos muitos, dentro e fora do país, que pensam que Lula está preso por razões políticas e que a lei que vale para ele não vale para todos e a que vale para todos não vale para ele.

Mais preocupante é perceber, nas redes sociais ou nas conversas, a naturalidade – quando não a raiva – com que uma parte da população aceita e defende os argumentos para o descumprimento da lei.

Hannah Arendt, uma das maiores pensadoras do século 20, cunhou a expressão “banalidade do mal” para indicar seu espanto ao ver que os líderes nazistas, responsáveis por atrocidades chocantes, eram pessoas normais, com ódios e preconceitos “normais”.

Na língua inglesa se usa a expressão next door para indicar uma pessoa normal, como eu e você, alguém que poderia ser o vizinho da porta ao lado.

O Brasil está cheio de monstros next door.

sobre o autor

Carlos A. Ferreira Martins é professor titular do IAU USP São Carlos.

 

comments

137.01 política
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

137

137.02 ensino

Trotes

O afogamento do espírito

Roberto Romano

137.03 homenagem

Robert Ryman

A pintura minimalista e os vestígios da mão

Rodrigo Queiroz

137.04 legislação

Tragédia no Ninho do Urubu é reflexo do descaso com projeto

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro

137.05 política

Chega logo, Momo!

O verde azul são-carlense versus o laranja brasiliense

Carlos A. Ferreira Martins

137.06 política

Guerra ou paz

A ajuda humanitária dos amigos da onça

Carlos A. Ferreira Martins

137.07 sociedade

Uma ponderação

Sobre o ridículo e a vingança dos poderosos

Roberto Romano

newspaper


© 2000–2019 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided