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arquitextos ISSN 1809-6298


sinopses

português
A partir da arquitetura contemporânea chilena, o artigo compartilha uma vivência do aparecer arquitetônico do mundo do vinho, através da observação de três vinícolas contemporâneas criadas por três arquitetos locais por meio de diferentes abordagens.

english
From the approach to some facts of contemporary Chilean architecture, this article share an experience of the architectural rise of the wine world, by observing three contemporary wineries created by three local architects through different approaches.

español
A partir de la arquitectura contemporánea chilena, el artículo comparte una experiencia del aparecer arquitectónico del mundo del vino, a través de la observación a tres viñas contemporáneas creadas por tres arquitectos locales, con diferentes abordajes.


como citar

SANSÃO, Adriana; ESPÓSITO-GALARCE, Fernando. A arquitetura do vinho. Observações sobre a arquitetura chilena contemporânea a partir da arquitetura vitivinícola. Arquitextos, São Paulo, ano 17, n. 204.00, Vitruvius, maio 2017 <http://agitprop.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.204/6548>.

Desde o final dos anos 1990 a arquitetura chilena vem apresentando crescente desenvolvimento enquanto campo profissional e atingindo importante visibilidade internacional. Paralelamente, a partir da mesma década a produção vitivinícola desse país vem abrindo seus mercados e conquistando reconhecimento no exterior. Hoje o vinho figura entre os cinco produtos nacionais de maior exportação, estando o Chile entre os cinco maiores produtores de vinho do mundo. Devido a esse crescimento, vem se desenvolvendo também a arquitetura voltada a abrigar esse programa.

A intenção deste artigo é compartilhar a vivência do aparecer arquitetônico do mundo do vinho, através da observação de três vinícolas chilenas e suas respectivas arquiteturas que, projetadas por arquitetos locais a partir de diferentes abordagens, se apresentam como importantes contribuições para a arquitetura contemporânea especificamente neste campo, mas também para a arquitetura de modo geral.

A arquitetura vitivinícola é uma das pontes possíveis entre os contextos local e global. É através dela que a relação entre a produção do vinho e o mundo se expressa, tanto no nível local, em termos de valorização da paisagem, quanto internacional, no que se refere ao mundo consumidor. Ela é responsável tanto pela união entre a cultura do vinho e a paisagem, quanto pela conexão, através da produção do vinho, entre o Chile e o exterior.

No intuito de contribuir para o aprofundamento dessas relações, partiremos apontando alguns fatos marcantes no desenvolvimento da arquitetura contemporânea chilena que dizem respeito à sua difusão do contexto local ao internacional e que têm relação com os arquitetos autores das três vinícolas apresentadas neste artigo: José Cruz Ovalle, Smiljan Radic e Roberto Benavente. E como forma de aproximar a arquitetura ao mundo do vinho, trataremos, de forma análoga, da trajetória da produção vitivinícola no país.

O arquiteto Horacio Torrent, no livro Blanca Montanha (1), afirma que um dos primeiros momentos em que foi possível reconhecer, no contexto mundial, uma nova arquitetura chilena foi a Exposição Universal de Sevilha (1992), com o pavilhão projetado pelos arquitetos José Cruz Ovalle e Germán del Sol, obra que surge como sinal de uma nova determinação na arquitetura chilena, em um momento em que o país recuperava seu sistema democrático, após 17 anos de ditadura. O país se abre ao mundo com a intenção de demonstrar que essa abertura significa não só um fato político, mas também um novo estado econômico e, principalmente, cultural.

Cruz e Del Sol representam, assim, uma geração que inicia uma renovada leitura do contexto chileno e de sua arquitetura. É importante lembrar que um dos atrativos apresentados neste pavilhão durante a exposição foi um iceberg, que gerou grande polêmica não só pelos altos custos da operação de traslado da grande massa de gelo, mas também pela aparente agressão ambiental que este fato significou para alguns. No entanto, para outros, o mesmo fato, quase heroico, de transportar um iceberg até o continente europeu, foi uma forma de demonstrar a capacidade do país de realizar muito mais. Também poderíamos interpretar a presença do iceberg como um fragmento original e em verdadeira grandeza da diversidade geográfica do país, que, junto com o pavilhão, conformou uma imagem de nação caracterizada pela materialidade, forma, espacialidade e cultura contida nesse espaço. Em palavras dos próprios autores (2), a oportunidade de participar do concurso, que finalmente teve como ganhador o projeto de Cruz e Del Sol (1992), foi um desafio, porque os obrigou a expor as ideias com as quais vinham trabalhando em outros projetos, como, por exemplo, a forma de compreender a relação entre América do Sul e Europa e de construir em um lugar remoto. Estas palavras já expressam uma relação em que arquitetura e contexto, junto com a elaboração de um produto nacional, mas também de uma identidade e imagem autêntica, são exportadas. Essa imagem “heroica” de um país que é capaz de levar um iceberg à Espanha, que recomeça sua abertura ao mundo e com esse gesto comunica essa capacidade de diálogo e comércio, criação e produtividade, pode ser extrapolada a uma diversidade de produtos, entre os quais o vinho é hoje um dos principais.

Por sua vez, Miquel Adrià (3) afirma que, a partir desse momento, uma nova geração de arquitetos jovens surge no cenário arquitetônico nacional. Na Bienal de Veneza de 2008, o Chile apresenta essa história através da montagem intitulada I Was There: Chilean Souvernirs, destacando o comum e ordinário de uma arquitetura que a partir dos 1990 derivou-se em obras espalhadas pelo país e pelo exterior, de características reconhecíveis, representando, assim, um momento de maturidade. A exposição conformou-se por pequenas figuras do mesmo porte de diversas obras de arquitetura chilena, de diferentes épocas e regiões, misturando ícones próprios da identidade arquitetônica nacional com obras contemporâneas, com o objetivo de criar uma “unidade país”.

Outro momento importante nessa história acontece no ano de 2014 com o arquiteto Smiljan Radic, que inaugura o Pavilhão Serpentine Gallery em Londres. O pavilhão translúcido que se assemelha a uma bolha, como o próprio arquiteto indica, tem as características de uma maquete gigante feita à mão. Uma forma aparentemente simples, leve e efêmera, na qual pouco se reconhece da tradição arquitetônica chilena, porém que dá continuidade à experimentação e liberdade que já caracterizavam até aqui uma série de obras anteriores de outros arquitetos da mesma geração, nas quais a tradição não aparece necessariamente pela forma, mas sim pela materialidade, espacialidade e relação com o contexto.

Desta forma, e arriscando uma interpretação mais intuitiva em função da observação anterior, podemos assinalar que uma das características principais da arquitetura chilena contemporânea é a capacidade de lidar com o contexto a partir de uma liberdade formal, que não abandona a importância do local. Com o pavilhão de Sevilha de 1992, Cruz e Del Sol criam formas em madeira que permitem definir uma imagem da arquitetura chilena e estabelecer relações, descobrindo referências do Chile do passado, porém ancoradas em uma tradição mais tectônica e menos formal. Com a Serpentine Gallery, por sua vez, é possível visualizar uma arquitetura de possibilidades no habitar, onde a materialidade e a forma sugerem uma relação de continuidade com o contexto a partir do leve e aberto, propondo uma relação com a paisagem existente.

Junto a estes fatos, destacamos também a tradição da escola de Arquitetura da PUCV (Valparaíso) através da Ciudad Abierta de Amereida, que, desde sua origem, nos anos 1970, iniciou e mantém viva até hoje uma arquitetura formalmente livre, de materialidade principalmente de madeira e tijolo e em permanente reinterpretação do contexto local. É essa atitude uma das principais contribuições desta escola, uma vez que, por meio da capacidade de observar, o contexto entra no projeto como uma das primeiras variáveis a considerar, o que traz de forma mais livre a expressividade da paisagem e da tradição material e construtiva através da arquitetura.

Essa tradição está presente em muitos arquitetos egressos dessa escola de gerações posteriores, como, por exemplo, Roberto Benavente, arquiteto que desenvolveu grande parte da sua carreira na França, trabalhando em projetos como o Ministério de Finanças (1983-1989) e a Grande Galeria do Museu Nacional de História Natural (1989), ambos em Paris.

Assumindo esses marcos como ponto de partida, observaremos, especificamente em três vinícolas, como a arquitetura contemporânea do vinho tem valorizado a importância de criar uma identidade a partir de sua relação com o contexto, com uso dos materiais e, talvez mais importante ainda, através da configuração de uma experiência arquitetônica e paisagística singular que potencializa a vivência vitivinícola na qual a primeira motivação normalmente é a degustação e a experimentação do vinho. Para isso, antes apresentaremos um breve histórico da arquitetura vitivinícola chilena.

Arquitetura vitivinícola no vale central do Chile

Embora o Chile desde bem cedo estivesse relacionado à produção vitivinícola, seus vinhos nem sempre brilharam pela excelência da qual hoje usufruem, e um dos fatores responsáveis pela baixa qualidade foram os precários processos de vinificação, onde o local e a qualidade do espaço destinado à atividade são fundamentais. Embora os vinhos contassem com bastante demanda entre a população e representassem um negócio bem rentável, os espaços destinados à produção inicialmente careciam das condições necessárias, sendo praticamente lugares associados a outras tarefas do campo e da produção agrícola, o que afetava o resultado. A atividade vitivinícola era desenvolvida, portanto, sem maiores pretensões comerciais ou de excelência.

Prova disso é que, no início do século 19, o agente norte-americano Teodorico Bland, qualificador dos processos de preparação do vinho, referiu-se aos métodos chilenos como “grosseiros, toscos e ruins”. E P. Campbell Scarlett indicava, na década de 1830, que a uva se dava bem no Chile, mas que não sabiam vinificá-la(4). Inclusive, eram comumente utilizados impermeabilizantes naturais no interior das barricas, como, por exemplo, resinas ou “brea” (tipo de piche), sem nenhum tipo de tratamento, o que afetava o sabor e aroma dos mostos, e, em alguns casos, até eram utilizados guanos de vaca e cavalo como selo das tampas de barro das barricas, o que piorava consideravelmente a situação.

As condições dos espaços de elaboração, aparentemente, não contribuíam para melhorar essa condição precária. O sistema utilizado no cultivo e a tecnologia de produção eram praticamente os introduzidos pelos espanhóis. Os vinhedos eram pouco trabalhados. Crianças e mulheres participavam na coleta das uvas, que eram levadas a cavalo até os pátios das adegas, onde eram pisadas em recipientes de pedra, tijolo ou sobre peles. Os mostos posteriormente eram transferidos às barricas e deixados nas caves para fermentarem (5).

Hoje, principalmente na zona central, é possível encontrar muitas antigas vinícolas cujas adegas datam de finais do século 19 e princípios do século 20, mais desenvolvidas que as primeiras construções onde a produção vinícola começou, que já apresentam claros avanços nos processos de vinificação, como a antiga Vinícola Casa Silva (1912), no vale de Colchagua, que já tinha incorporado nessa época avanços tecnológicos que melhoraram os processos e, portanto, a qualidades dos vinhos. Consequentemente, a busca por melhorias na qualidade dos mostos significou também redefinições na arquitetura das vinícolas.

Já a história recente do vinho chileno está caracterizada por um desenvolvimento técnico e, consequentemente, pela qualidade e internacionalização. Como indicado por José Del Pozo (6), até o início dos anos 1970 praticamente a totalidade das vinícolas grandes e pequenas orientava sua produção ao mercado interno. No final desta década, a baixa demanda interna indicou a alguns produtores a necessidade de ampliar os mercados do vinho, especialmente no exterior. No entanto, muitos dos produtores consideraram essa possibilidade como uma medida que não repercutiria consideravelmente na situação comercial do vinho, culpando a falta de competitividade à situação econômica interna do país relacionada à tributação fiscal e à falta de controle da produção clandestina do vinho.

Esta situação mudou radicalmente a partir do fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990 com a diminuição das taxas aduaneiras e a chegada de investimentos estrangeiros, tecnologia e especialistas na área vitivinícola.

O maior contato com o exterior, principalmente com os mercados europeu e norte americano, permitiu identificar que o vinho chileno era muito pesado para esse consumidor, que buscava vinhos mais aromáticos e frutuosos. Para alcançar esses objetivos era necessário um investimento técnico importante, o que evidentemente trouxe com ele a necessidade de responder também aos requerimentos de infraestrutura, espaços e, consequentemente, arquitetura.

Desta forma, teve início uma transformação no mercado do vinho no Chile, com uma constante renovação tecnológica e o surgimento de novos produtores. A diminuição do consumo interno e o aumento do consumo no exterior, também nesse período, orientaram esses investimentos à exportação. Já nos anos 1990, com o retorno da democracia, o país consolidou sua relação com o exterior, começando a exportar uma série de produtos em maior volume e com melhor qualidade, entre eles o vinho. Traçando um paralelo com o já mencionado pavilhão chileno da Exposição Universal de Sevilha, também no início da década de 1990 “surge uma nova determinação no mercado do vinho, em um momento em que o país recuperava seu sistema democrático, após 17 anos de ditadura”. Esse período coincide com a maturidade profissional daquela geração de arquitetos formados durante os anos 1980.

Hoje o vinho chileno é um dos produtos de exportação mais conhecidos do país, que destina porcentagens cada vez maiores da sua produção anual à exportação. Enquanto isso, a arquitetura chilena também tem vivenciado importantes conquistas. Nessa conjuntura, o campo vitivinícola tem surgido como uma grande oportunidade para o desenvolvimento da arquitetura contemporânea.

O lugar de produção do vinho a partir do final do século 20 foi se tornando cada vez mais um local de grande atrativo, um espaço onde a mistura da tecnologia e racionalidade do processo produtivo vitivinícola com a degustação in loco e a beleza natural do entorno como protagonista trouxe uma nova relação com o contexto, em que função e vivência começaram a ser consideradas conjuntamente.

Dentro desse contexto, o lugar é tratado quase com a mesma devoção e cuidado que os próprios vinhos, e muitas vezes a vivência nestes lugares é oferecida também como um complemento à experiência da degustação. Hoje as vinícolas contam com complexos programas em que os espaços tradicionais de produção se misturam aos locais pensados para o visitante, como lugares de permanência, percursos entre os vinhedos e barricas, complementados por restaurantes, cafés e até mesmo hotéis. Tudo inserido em um contexto que relaciona interior e exterior enquanto experiência sensorial integral, ao mesmo tempo defendendo a ideia de uma racionalidade e funcionalidade onde a beleza não está só no edificado, mas também no vivenciado desse processo verdadeiro e não tematizado.

Uma característica arquitetônica importante é o uso dos materiais, por um lado os oferecidos pela indústria, como aço inox, concreto e vidro, por outro os materiais locais, como pedra, barro, madeira e, em alguns casos, a própria água e verde do vinhedo participam como materialidade na definição do lugar.

Se considerarmos que um fator importante de uma vivência é o contexto em que está inserida a arquitetura, então, nos três casos, esta começa na cidade de San Fernando, porta do vale de Colchagua, localizada a 150 quilômetros ao sul de Santiago e a 40 quilômetros ao leste de Santa Cruz, pequena cidade no centro do vale. Essa distância de 40 quilômetros permite uma compreensão muito clara da geografia e características do contexto onde os vinhedos se localizam.

Cidade de San Fernando, porta do Vale de Colchagua, Chile
Foto divulgação

Assim, o que poderíamos chamar de um percurso de aproximação, que normalmente começa em Santiago para chegar até Santa Cruz e visitar as vinícolas, já pode ser considerado parte da vivência, onde o visitante atravessa outros vinhedos ao longo da estrada, no vale central da VI região, reconhecendo o contexto geográfico e paisagístico do território no qual as vinícolas estão inseridas. Partiremos, então, para a observação de três vinícolas localizadas nesse vale.

Viña Emiliana Organics (2000-2002)

A vinícola Emiliana Organics é um projeto do arquiteto José Cruz Ovalle, inaugurado 10 anos após o projeto do pavilhão chileno em Sevilha. A vinícola, localizada no vale de Colchagua, elabora um vinho orgânico livre de pesticidas e reutilizando águas e material orgânico resultante do processo produtivo. Atualmente a vinícola é um espaço de adega que não possui visitação nem degustação.

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação


As quatro naves que a conformam estão muito próximas ao caminho principal de acesso, dessa forma, aparecem repentinamente ao olhar do visitante. Sua volumetria sugere uma relação com os tradicionais galpões utilizados nas tarefas do campo.

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação

Em um segundo olhar, já adentrando o sítio, a volumetria se revela em seus detalhes construtivos, que, em conjunto, configuram a forma do todo. A massa do edifício está focada em uma série de muros côncavos, cuja primeira terça parte inferior está construída em pedra e concreto para logo seguir em alvenaria de barro. Separando cada um dos muros, as sapatas de concreto sustentam a estrutura principal de madeira, que por sua vez sustenta a cobertura e os brises laterais (também apoiados nos muros), que permitem iluminação e ventilação naturais.

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação

Utilizando técnicas construtivas e materiais tradicionais, “a obra destas adegas inventa a forma a partir da matéria concebida como massa. Massa que é construída artesanalmente” (7). Essa forma de conceber e construir a obra a partir de uma tectônica relacionada ao fazer em escala humana e não a complexas técnicas e operações construtivas dialoga com a forma na qual o vinho é concebido, de baixo impacto, com processos amáveis com o entorno e em uma escala pouco invasiva em relação ao vinhedo e aos morros do setor.

É notável que no discurso espacial das adegas, tanto por fora quanto por dentro, surgem de forma sutil os elementos e peças estruturais, que nunca ocultam a composição das forças do edifício. Eles formam parte do espaço e existe um cuidado evidente em considerá-los dessa forma. Assim, espaço, estrutura, clima, função e habitar (uso) conformam, juntos, uma vivência arquitetônica. Um tipo de edifício pensado para o processo industrial do vinho, que geralmente é tratado como um mero galpão, aqui é uma obra de arquitetura que através de diferentes aspectos dialoga com o entorno e com as forças que nele e a partir dele interagem.

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação

A implantação do conjunto organiza o espaço a partir das bordas. Os muros côncavos de pedra, concreto e barro, em conjunto com a cobertura, estrutura e fechamentos vazados de madeira, operam como interfaces que alternam a escuridão dos interiores das adegas e caves com os espaços de circulação externos muito luminosos, interligando o todo. Junto às paredes, jardins de arbustos e pedras do local criam uma distância dos muros, potencializando a noção de um paisagismo planejado, sem interferir com o entorno natural. Os beirais e coberturas inclinadas criam grandes superfícies sombreadas nas vias internas ao longo de grande parte do dia.

Vinícola Emiliana Organics, Vale de Colchagua, arquiteto José Cruz Ovalle
Foto divulgação

A poética resultante é a de uma arquitetura com forte identidade local, a serviço da paisagem e do conforto ambiental, em uma excepcional inserção no contexto natural, onde os edifícios criam vias internas de larguras variáveis criando diversas perspectivas do lugar.

Viña Clos Apalta (2000-2006)

A vinícola Clos Apalta, localizada no caminho de mesmo nome no vale de Colchagua, é um projeto arquitetônico de Roberto Benavente, inaugurado no ano de seu retorno ao Chile após a temporada em que atuou no exterior.

Vinícola Clos Apalta, Vale de Colchagua, arquiteto Roberto Benavente
Foto divulgação

A partir da estrada, ainda à distância, é possível observar o edifício surgindo como uma pequena estrutura que brota da colina. Abaixo, o vinhedo conforma um manto verde que separa aproximadamente 500 metros o caminho da adega. De perto, o edifício aparentemente não tem o tamanho necessário para dar conta da magnitude da produção de uma vinícola de tais características. A explicação é simples: o edifício, de 25 metros de altura, dividido em seis níveis, possui quatro níveis enterrados no morro. Só dois níveis são aparentes, que correspondem ao nível superior por onde ingressa a uva e ao seguinte, onde se localizam os tonéis que recebem as uvas a partir do nível superior. São esses os pavimentos abraçados pela estrutura de madeira que cobre parcialmente a nave de vidro principal, quase como um ninho, resguardando este primeiro momento da produção, a elaboração. O restante do edifício está inserido na colina de granito, permitindo que todo o processo aconteça verticalmente, completamente por gravidade, oferecendo condições naturais às uvas, que vão soltando o mosto lentamente, sem intervenção mecânica externa. Além disso, na medida em que o mosto passa aos níveis mais baixos, a temperatura no interior do morro diminui de forma natural, condição necessária para um processo de qualidade.

Vinícola Clos Apalta, Vale de Colchagua, arquiteto Roberto Benavente
Foto divulgação

Vinícola Clos Apalta, Vale de Colchagua, arquiteto Roberto Benavente
Foto divulgação

O edifício foi pensado de forma a construir um percurso, que parte do nível de acesso, no alto, e desce em movimento espiral, atravessando todas as etapas da produção do vinho e permitindo a visualização do corte do morro. Segundo o arquiteto,

"não se trata de um galpão bonito, mas de uma obra de arquitetura que acolhe o relato do vinho com o descobrimento de uma verdadeira cenografia natural desenrolada em mais de seis pavimentos subterrâneos” (8).

Nos níveis inferiores, descendo pelo interior do edifício através da escada em espiral, localizam-se as barricas de madeira francesa, onde é armazenado o vinho que lá chega também por gravidade. Depois de dois anos de envelhecimento dentro das barricas, o vinho é engarrafado e armazenado em duas salas nos níveis inferiores, ou na adega reservada, no coração do edifício, onde também é vivenciada a degustação por parte dos visitantes.

Vinícola Clos Apalta, Vale de Colchagua, arquiteto Roberto Benavente
Foto divulgação

Vinícola Clos Apalta, Vale de Colchagua, arquiteto Roberto Benavente
Foto divulgação

O volume aparente do edifício assume forte identidade a partir da estrutura vertical de madeira – também representativa da própria identidade chilena – que cria uma espécie de brise sobre o volume curvo envidraçado. A inserção do edifício, apesar da forte intenção de coroar o vinhedo, possui baixo impacto na paisagem pelo fato de ocultar a maior parte da massa edificada dentro do morro, além de cobrir o volume aparente com a extensão do desenho paisagístico presente no alto da colina.

Vinícola Clos Apalta, Vale de Colchagua, arquiteto Roberto Benavente
Foto divulgação

A força gravitacional como parte fundamental do processo de vinificação é a principal observação arquitetônica e é essa decisão a que dá ao edifício sua principal feição: o volume contendo todo o programa, tanto industrial quanto turístico, incrustado no morro, poética resultante da fusão de uma ideia potente com a interpretação do contexto e a experiência do percurso arquitetônico.

Viña Vik (2007-2014)

A vinícola VIK foi projetada pelos arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon como resultado de um concurso no ano de 2007, sendo inaugurada em 2014, mesmo ano em que Radic realiza a Serpentine Gallery em Londres. A vinícola está localizada no vale de Millahue, vizinho do vale de Colchagua, também na região central.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
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O edifício delimita-se por uma grande cobertura, que à primeira vista poderia parecer uma laje de concreto, mas que na verdade se trata de um inflado de EFTE – membrana translúcida com colchão de ar – apoiado em duas paredes laterais, criando a ambiência de um grande hangar. O acesso está conformado por uma extensa esplanada frontal onde a circulação se organiza por uma calçada de concreto que a percorre e sobre a qual corre sutilmente um manto de água em direção ao edifício. O percurso também acontece entre uma série de pedras, dispostas enquanto elementos escultóricos (autoria de Marcela Correa) sobre este enorme espelho d’água, o que gera uma atmosfera de estímulos baseados no som e brilho da água, no contraponto das pedras com o branco e na horizontalidade monumental da esplanada.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
Foto divulgação

As pedras, por estarem localizadas aparentemente de forma aleatória, ou talvez planejadas de forma a quebrar a linearidade dos percursos e da esplanada, geram um dinamismo do paisagismo artificial. Ao mesmo tempo em que participam desse jogo visual de brilhos e rumor das águas, as pedras também sugerem a presença do natural, do não modificado, da força do entorno e da geografia existente além dos limites deste espaço isolado. Entre as pedras, na laje sobre a qual corre a água, crescem pequenas algas, que, naturalmente, vão colorindo este grande pátio em tons de laranjas, escarlates, marrons e verdes.

Ao ingressar pela fachada principal de vidro do edifício, a primeira e natural reação é a de girar 180 graus para observar o caminho percorrido, agora a partir do extremo oposto.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
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A adega, na verdade, é uma grande nave em continuidade com a esplanada. Uma vez dentro do edifício – embora da esplanada já seja possível participar de certa interioridade – é neste espaço principal que estão alinhados os tonéis de aço inox e onde existe climatização especial. Descendo a partir da passarela principal, nivelada com o acesso e a partir de onde é possível ver as fileiras de tonéis do alto, se alcança o nível inferior, predominantemente de pé direito duplo, coberto pela membrana. É aqui o lugar onde se descobre que a esplanada exterior é a cobertura da cave, praticamente a maior parte do edifício, onde repousam as barricas de madeira para envelhecimento do vinho no período de dois anos, antes de passar às garrafas. Este espaço é climatizado a uma temperatura e umidade constantes para garantir a qualidade do produto. O manto de água da superfície, além de componente paisagístico, é um controle térmico natural ao operar como uma superfície de resfriamento da cobertura. O espelho d’água gigante é a alma do edifício, cuja água, trazida de canais naturais existentes no entorno, também é usada na vaporização do interior.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
Foto divulgação

Percorrendo a adega principal é possível perceber uma série de detalhes que vão resolvendo diferentes questões técnicas, relacionadas por um lado à estrutura, à espacialidade, mas também às operações próprias do processo de elaboração do vinho, como limpeza, drenagem, controle de temperatura etc. As paredes laterais, que na verdade são os muros de contenção, e a passarela de concreto, contam com estrutura expressiva, detalhamento objetivo e limpo.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
Foto divulgação

Atravessando esta grande nave, após vencer um pequeno desnível, alcança-se a cave de visitação, que conforma um espaço de transição entre a nave principal e a sala de degustação. Aqui a iluminação natural dá lugar a uma luz artificial e de menor intensidade, exaltando a presença das barricas, alinhadas em ambos os lados do percurso, gerando uma atmosfera intimista, um estado que prepara os sentidos, na escuridão, para culminar no “altar” da vinícola, local da degustação. Esse espaço rompe a limpeza visual mantida até então e caracteriza-se por pinturas e mosaicos que representam as bondades e caraterísticas do vale.

A vinícola, que intenciona produzir o melhor vinho do Chile e um dos dez melhores do mundo, investiu pesado em uma estrutura focada na produção de somente um vinho por ano, um vinho ensamblaje de cinco uvas, de resultado elegante e com um sabor não tão alcóolico. Assim, nesta vinícola localizada no Chile profundo, de encontro à Cordilheira da Costa, a adega é um espaço que dá conta desse trabalho minucioso.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
Foto divulgação

Duas questões em especial demonstram a habilidade dos arquitetos no trabalho com o contexto: a primeira delas é a altura da cobertura do galpão, que parece flutuar sobre o colchão verde do vinhedo. A outra é a cristalinidade das duas fachadas, que permitem que a visão atravesse a arquitetura e alcance a paisagem mais além.

Desta forma, sua poética resulta da articulação entre a racionalidade do processo produtivo, a inteligência e simplicidade do princípio estrutural e a compreensão da arquitetura como arte, que, em conjunto, determinam uma vivência arquitetônica através de uma paisagem dinâmica, que colabora no conforto ambiental e sensorial.

Vinícola VIK, Vale de Colchagua, arquitetos Smiljan Radic e Loreto Lyon
Foto divulgação

Considerações finais

Através deste artigo foi proposta uma relação entre a produção contemporânea do vinho e da arquitetura, centrando a narrativa em aspectos como identidade, contexto e experiência relacionados aos novos edifícios que recebem este programa.

É importante destacar que o fato de observar estes três exemplos de arquitetura vinícola permitiu não só o encontro com um campo que vincula dois âmbitos pelos quais o Chile hoje é reconhecido (vinho e arquitetura), mas também o aprofundamento na busca de características que definem uma identidade local. Na arquitetura, talvez como em poucas disciplinas, essa identidade tem relação direta com as formas de habitar, com a vida. E, como apresentado neste artigo, com as formas que compreendem o contexto habitado e o espaço produtivo a partir de uma articulação que tem na vivência a forma de reinventar essas relações, onde acreditamos que exista uma memória arquitetônica autêntica.

Assim, a partir da caracterização do Chile baseada na identidade mencionada, mas também como país onde a condição sísmica e vulcânica é uma realidade marcante; onde cada região está definida por seus próprios vales e rios; e onde existe clara delimitação e isolamento por uma geografia de extremos e bordas, com a Cordilheira dos Andes pelo leste, o Oceano Pacífico pelo oeste, o deserto de Atacama ao norte, e os fiordes, arquipélagos e gelos ao sul; determinam-se as dimensões e relações que surgem a partir da arquitetura.

Vale chamar atenção para o percurso ascendente da arquitetura chilena, que vem consolidando sua reputação ao longo dos últimos 20 anos, culminando recentemente em dois importantes reconhecimentos internacionais: o Leão de Prata na Bienal de Veneza, em 2014, pela Participação Nacional com o pavilhão "Monolith Controversies", e o recente Prêmio Pritzker, que laureou o arquiteto Alejandro Aravena no início de 2016. No entanto, o Chile, como toda a América Latina, tem ainda muito caminho a percorrer. Estes reconhecimentos são, em parte, o resultado de uma maturidade arquitetônica que tem sua origem em uma relação muito mais profunda que o país tem atingido no cenário recente, sustentada na identidade que mistura as características próprias com a interpretação da sua herança.

Além do conteúdo mais panorâmico que este trabalho apresenta em relação ao mundo do vinho e especificamente à observação mais demorada e in loco das três vinícolas analisadas, uma das questões que gostaríamos de destacar é a relação que as três intervenções desenvolvem através da arquitetura entre programa e contexto.

Trata-se da contextualização da obra arquitetônica como uma sensível materialização de uma ideia em relação ao seu entorno e programa. Porque contextualizar significa compreender o lugar e conteúdo e sua relação de complementaridade e mútua potencialização, configurando os valores dessa relação em resposta a um programa que por uma parte é rígido, como é o processo vitivinícola, pelas necessidades técnicas envolvidas, mas por outra é flexível, a partir do vínculo que pode existir entre habitante e processo, através da vivência. Desta forma o contexto é um integrador das variáveis que se relacionam através da arquitetura e sem as quais a própria obra e lugar perdem sentido. Contexto é, portanto, um lugar com significado e não simplesmente o cenário onde a obra é inserida.

Esta relação entre contexto, espaço e ato de habitar, tal como afirmado por Bernard Tschumi (9), deve ser compreendida como um diálogo. Para ele não existe arquitetura sem conceito, porque o conceito, e não a forma, é o que diferencia a arquitetura da mera construção. Também não existe arquitetura sem contexto, porque uma obra de arquitetura está sempre em algum sítio e, portanto, tem sempre uma localização específica. E também não existe arquitetura sem conteúdo, porque não existe espaço arquitetônico sem algo que irá ocupá-lo.

Assim, nas três vinícolas apresentadas é possível testemunhar a forte relação existente entre o contexto, que só pela sua condição natural relacionada ao vinhedo, ao campo, à identidade local dos processos tradicionais, à geografia e clima, entre outros, se apresenta como uma condição iniludível do projeto. O conteúdo também é muito claro, porque o processo do vinho, a vivência relacionada ao processo, a visitação e degustação, e a possibilidade de inserir nessa vivência a presença da paisagem são parte desse conteúdo também iniludível como parte de um programa. E, finalmente, o conceito talvez seja o mais difícil de decifrar, porque consiste na capacidade do arquiteto de observar e interpretar a partir das suas próprias vivências uma possibilidade, para logo projetar articulando todos os atributos na criação de um lugar com significado, que nos três casos se revela com a beleza de uma arquitetura que é coerente com o que abriga e eloquente no que expressa.

notas

1
TORRENT, Horacio. Los noventa: articulaciones de la cultura arquitectónica chilena. In ADRIÀ, Miquel (ed.) Blanca montaña. Arquitectura en Chile. Vitacura, Puro Chile, 2010.

2
CRUZ, José; DEL SOL, Germán. Sevilla. El pabellón de Chile. In ARQ, n. 21, Santiago, set. 1992, p. 2-13. Disponível em: http://www.edicionesarq.cl/1992/arq-21/. Acessado em 19 de janeiro de 2016.

3
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sobre os autores

Adriana Sansão Fontes é Arquiteta e Urbanista, Mestre e Doutora em Urbanismo pelo PROURB-FAU/UFRJ, com Estágio Doutoral na ETSAB/UPC, em Barcelona. Professora Adjunta do PROURB-FAU/UFRJ. Atual Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ).

Fernando Espósito-Galarce é Arquiteto pela EAD-PUCV-Valparaíso, Chile. Doutor em Arquitetura pela ETSAB/UPC, em Barcelona. Professor Agregado, Quadro Complementar do DAU/PUC-Rio. Sócio da Ciudad Abierta, Corporación Cultural Amereida, Chile.

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